Aparição

21 Jul
  • romance que tem como tema principal o problema da existência do homem no mundo.
  • a transcendência do eu que constitui a aparição, encontro do eu consigo mesmo, zona de fulguração íntima, de evidência da vida e da morte, nó de um caminho que leva à explicação dos silêncios, da nostalgia, da angústia existencial.
  • Alberto, o único filho solteiro do Dr. Álvaro Soares, médico e lavrador, e de D. Susana, tem dois irmãos: Tomás, engenheiro agrónomo e lavrador, casado com Isaura e com muitos filhos, é o preferido do pai. Evaristo, o preferido da mãe, é o mais novo tem o curso geral dos liceus e é casado com Júlia, filha de um industrial rico, tem um filho.
  • Nasceu na Serra da Estrela.
  • Vive uma infância em comunhão com a Natureza aliada à figura materna.
  • Após a morte do seu pai, Alberto parte para Évora onde vai ser professor de Português no Liceu.
  • procura encontrar a verdade da vida, o que se torna muito angustiante porque é acompanhada de um sentimento de solidão e incompreensão por parte de quem o rodeia, como alguns membros da família Moura, família burguesa da cidade com quem Alberto Soares se relaciona.
  • Estabelece amizade com o Dr. Moura, antigo conhecido de seu pai, e com as suas filhas: Ana (casada com um Homem rude e distante chamado Alfredo), Sofia (uma mulher problemática com quem Alberto terá um relacionamento conturbado) e a doce e angelical Cristina.
  • Através de Moura ainda conhecerá outras figuras da cidade, como o engenheiro Chico, (com quem travará alguns embates de ordem politicas e filosóficas) e Carolino, o Bexiguinha (jovem aluno seguidor de Alberto).
  • Apenas Ana e Sofia se sentem mais próximas da personagem principal por serem suas alunas espirituais. Além das aulas no Liceu, dá aulas particulares de Latim a Sofia, e acaba tendo com ela um relacionamento secreto. 
  • Com o fim de ano, a cidade que tão bem acolheu Alberto começa a tornar-se hostil. O Director do Liceu repreende-o pelo conteúdo filosófico pouco apropriado das suas aulas.
  • Chico, que a princípio era seu amigo, passa a ser seu opositor em relação às suas ideias existenciais e Sofia passar a namorar Carolino, mas continua a visitar o professor.
  • Num trágico acidente de carro, dirigido por Alberto, Cristina morre deixando o ambiente ainda mais perturbado.
  • Carolino começa a demonstrar um comportamento psicótico e violento, com ciúmes de Alberto e Sofia, tenta matar o professor que o subjuga e humilha, por isso vinga-se no elo mais fraco do triângulo amoroso, matando Sofia.
  • Viver em Évora torna-se impossível para Alberto, muda-se para Faro, onde se casa, tem filhos e envelhece. Com a morte da mãe, vai visitar o casarão da sua família e inicia a narração do começo da história.
  • é visível a filosofia existencialista, quando Alberto procura o «eu» verdadeiro, que surge em numerosas manifestações do quotidiano.
  • No fundo, Alberto sente a constante necessidade de se encontrar a si mesmo; por isso, vive em permanente conflito com a sua condição humana.
  • Em situação alguma, Alberto pondera a intervenção divina pois considera que a sua existência nada pode mudar. Nesta busca de si próprio Alberto experimenta fundamentalmente a rejeição, a solidão e a angústia.
  • esta citação da obra reflete a essência deste romance existencialista:

 «Penso, penso. Não, não penso: procuro. Outra vez. Não, não quero “saber”, sei já há tanto tempo… Mas nenhum saber conserva a força que estala no que é aparição. Porque o escrevo de novo? A verdade é que nada mais me importa. E todavia um estranho absurdo me ameaça: quero saber, ter, e uma aparição não se tem, porque não seria aparecer, seria estar, seria petrificar-se. Queria que a evidência me ficasse fulminante, aguda, com a sua sufocação, e aí, na angústia, eu criasse a minha vida, a reformasse.»

 

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Tempestade – tópicos

21 Jul
  • São dois os sinais que indiciam o início de uma tempestade: o vento torna-se progressivamente mais forte (est. 70, vv. 5 e 7) e aparece uma “nuvem negra” (est. 70, v. 8).
  • O mestre manda recolher as velas: primeiro os “traquetes das gáveas” (est. 70, v. 6), depois a “grande vela” (est. 71, v. 4).
  • O mestre é, acima de tudo, um comandante experiente, atento ao meio envolvente. As suas ordens são enérgicas e assertivas (note-se como recorre insistentemente ao modo imperativo dos verbos amainar e alijar , de modo a orientar a atuação dos marinheiros). A forma como fala – “a grandes brados” e “rijamente” – denuncia também a firmeza e a segurança da sua liderança. 3.1. Embora tenham sido apanhados desprevenidos pela tempestade (est. 70, vv. 3-4) e, numa fase inicial, atuem de forma descoordenada e amedrontada (est. 72, vv. 1-2), ao ouvirem o mestre, os marinheiros obedecem-lhe num misto de ânimo, dureza, esforço e cooperação, recolhendo as velas, lançando a carga ao mar, dando à bomba e meneando o leme.
  • Quanto às embarcações, a nau de S. Gabriel fica com a vela grande desfeita e cheia de água (est. 72-73); a nau S. Rafael, com o mastro partido e alagada (est. 75). Os animais, por seu turno, tentam proteger-se da tempestade: os golfinhos escondem-se na cova marítima e as aves cantam tristemente (est. 77). Em relação à flora, são derrubados muitos montes e arrancadas árvores (est. 79) e as areias do fundo do mar são remexidas.
  • O movimento agitado e impetuoso das águas é realçado pelas perífrases metafóricas (est. 76) e pelo adjetivo anteposto, no superlativo absoluto sintético ( “altíssimos mares” , est. 74).
  • A força impetuosa dos ventos é sugerida sobretudo pela personificação (est. 76, vv. 5-6; est. 79, v. 4), pela comparação (est. 84), pela hipérbole (est. 74, vv. 1-4) e pela aliteração de sons sibilantes e nasais (est. 79, 84).
  • A intensidade dos relâmpagos e dos raios é enfatizada pelas comparações mitológicas de teor hiperbólico (est. 78) e pelo adjetivo anteposto ( “vivos raios” ).
  • Receando que o seu desejo de chegar à Índia não se concretize, Gama faz uma prece revelando-se inseguro e temendo pela vida.; b. F. – Gama invoca a Guarda Divina na segunda pessoa do singular (“ senhoreias” , “Tu” , “livraste” , “guardaste” …).; c. V. – est. 81, vv. 3-8; est. 82, vv. 7-8; d. V. – est. 83, vv. 5-8. 5.1. Entre as duas formas de descrição estabelece-se uma relação de contraste absoluto: no auge da tempestade descreve-se uma Natureza agitada, disfórica e destruída (montes derrubados, árvores arrancadas, areias do fundo do mar revolvidas), indutora de sofrimento (cf. comportamento das “Alcióneas aves” e dos golfinhos); no período de acalmia, uma Natureza calma e indutora de felicidade e de harmonia – manhã “clara” , “Ganges mur    murando soa” (est. 92, vv. 1-2) (Nota: A harmonia é sugerida quer pelo léxico quer pelas aliterações e assonâncias).
  • Ao avistar terra, Vasco da Gama ajoelha-se e agradece a Deus o facto de ter escapado à morte e chegado à Índia.

 

 

Tópicos de análise – Tempestade

21 Jul
  • O espaço é marcado pela expressão “dali” ; o tempo, por “cinco Sóis eram passados” (cinco dias).
  • Primeiramente, descreve-se a “figura” do gigante e depois a sua “estatura” ; de seguida, especificam-se aspetos mais particulares, como “O rosto” , “a barba” , “Os olhos” , “a postura” , “os cabelos” , “A boca” e “os dentes” .
  • O principal recurso é a adjetivação, que ora é utilizada de forma dupla ( “robusta e válida” , “disforme e grandíssima” , “Medonha e má” , “terrena e pálida” ), ora simples ( “carregado” , “esquálida” , etc.), podendo ainda encontrar-se flexionada no grau superlativo ( “grandíssima” ).
  • Se Gama permanecesse imperturbável não seria humano; até o corajoso capitão fica estarrecido, o que sublinha o carácter terrífico do gigante.
  • A elogiosa apóstrofe inicial ( “Ó gente ousada” ) é reforçada pela caracterização que a seguir se faz dos Portugueses: estes cometem grandes feitos, são incansáveis em guerras e trabalhos e transgridem os limites ao rasgar os mares, desvendando “os segredos escondidos” do oceano ( “do húmido elemento” ).
  • As profecias são um ingrediente do “maravilhoso”, característico da obra épica.
  • À pergunta de Gama, Adamastor reage como se lhe remexessem numa ferida secreta, como se “a pergunta lhe pesara” , retorcendo boca e olhos, soltando um “brado” de dor, mudando o tom ameaçador, furioso e arrogante para um tom amargo, dolorido “pesada”.
  • O Adamastor foi tocado no seu ponto fraco, levado a recordar o seu drama pessoal e as razões que conduziram à miséria da sua presente situação.
  • O Adamastor revela que, no momento presente, é o Cabo das Tormentas e que fora um titã, um gigante que se rebelara contra os deuses, chefiando a “marinha” titânica contra a armada de Júpiter; explica que a paixão por Tétis o levara a abraçar a rebelião.
  • Tendo reconhecido que a sua monstruosidade não seduziria a ninfa, tentou conquistá-la pelas “armas” , mas foi vexatoriamente ludibriado. A dor da frustração amorosa é vividamente descrita: julgando abraçar a “branca” e “despida” Tétis, afinal apertava um “duro monte/De áspero mato” , tendo-se transformado no penedo que abraçava.
  • Acentuando a sua infelicidade, afigura-se-lhe que Tétis se passeia nas águas que o circundam a ele, um Cabo imobilizado.
  • O Gigante desaparece repentinamente, embaraçado pela sua confissão, largando um “medonho” e amargo choro. Em simultâneo, atenuam-se os sinais iniciais de tempestade: a nuvem desaparece e cessa o bramido do mar.
  • Gama suplica a Deus que impeça a realização das sinistras profecias do Adamastor.

 

 

TEMPESTADE -RESUMO

21 Jul

 

Decorria o “Concílio dos Deuses Marinhos”, quando a armada portuguesa, foi interceptada por uma tempestade proveniente dos ventos que Eolo soltara por ordem dos deuses.

Também no momento em que a tempestade se aproximou, estavam os navegadores entretidos com a história do “Doze de Inglaterra”, contada por Fernão Veloso.

É este um episódio simbólico em que se entrelaçam os planos da viagem e dos deuses, portanto a realidade e a fantasia.

Esta tempestade é o último dos perigos que a armada lusitana teve que enfrentar para chegar ao Oriente, e Camões descreve-a de uma forma bastantes realista, tanto relativamente à natureza, quando refere a fúria desta (relâmpagos, raios, trovões, ventos), como relativamente ao sentimento de aflição sentido por parte dos marinheiros.

O episódio começa por referir a tranquilidade com que se navega em direcção à Índia, assistindo-se depois ao desenlace da tempestade que o poeta descreve de maneira muito real. De seguida é narrada a súplica de Vasco da Gama a Deus = “Divina Guarda, angélica, celeste,”, o qual utiliza argumentos como a preferência por uma morte heróica e conhecida em África, a um naufrágio anónimo no alto mar e o facto de a viagem ser um serviço prestado a Deus. O término da tempestade vem quando Vénus decide intervir ordenando às “Ninfas amorosas” que abrandem a ira dos ventos, seduzindo-os.

Como se pode verificar, mais uma vez, Vénus ajuda os Portugueses a atingir o seu objectivo, visto que os considera um povo semelhante ao seu amado povo latino. Quando a tempestade acaba, os Portugueses avistam a Índia a 17 de Maio de 1498.

  1. Os nautas ouviam a história de Fernão Veloso, quando o comandante, olhando os céus, toca o apito despertando os que dormiam e ordena que recolham as velas mais altas pois o vento está a crescer.
  2. Ainda não tinham terminado a recolha das velas, quando rebenta a tempestade. O mestre volta a ordenar que amarrem a grande vela, mas os ventos indignados não esperam e despedaçam-na com um ruído tal que parecia o mundo a ser destruído.
  3. Os gritos dos marinheiros aterrados e confusos da nau São Gabriel ferem os céus, pois quando a vela rompe, o navio começa a meter água. O mestre grita para que lancem carga à água e que usem as bombas.
  4. Os soldados, empenhados, correm a dar à bomba, mas os balanços atiraram-nos contra a amurada. Três nautas não eram suficientes para segurar o leme, tendo que o prender com cordas.
  5. O vento não podia mostrar mais crueldade do que para derrubar a forte torre de Babel. A possante nau lembrava um pequeno batel nas ondas imensas, causando admiração conseguir suster-se naquele mar.
  6. A nau S. Rafael encontra-se com o mastro partido e quase toda alagada e os nautas chamam Cristo em gritos tão vãos como os gritos vindos da nau Bérrio, embora o mestre tivesse controlado a situação antes que o vento destruísse tudo.
  7. As ondas ora os subiam, ora parecia que os desciam ao Inferno. Os ventos do sul queriam destruir o mundo e os raios pareciam incendiar todo o firmamento.
  8. As aves marinhas cantavam tristemente recordando o pranto causado pelas águas. Os golfinhos nem nas covas marítimas encontravam águas sossegadas.
  9. Nunca Vulcano fabricara raios assim contra os Gigantes, nem Júpiter atirou relâmpagos assim durante o dilúvio.
  10. Quantos montes as ondas derribaram, quantas árvores arrancaram, raízes viradas para o céu, areias do fundo do mar revolvidas, eram as consequências de tal tormenta.
  11. Vendo Gama que se perdia tão perto do fim da viagem, ora subindo aos céus, ora descendo aos infernos, e cheio de temor, dirige-se à Divina Providência.
  12. Apostrofa a Divina Guarda que deu refúgio aos Hebreus, livrou S. Paulo e defendeu Noé.
  13. Se o capitão receia mares perigosos no fim de tantos perigos, porque ficam desamparados se as suas aventuras não ofendem Deus e só visam servi-Lo?
  14. Inveja os venturosos que morreram na luta pela fé em terras Mauritanas que se imortalizaram pelos seus feitos.
  15. Os ventos lutavam como touros, acrescentando força à tormenta, assobiando por entre os cabos, enquanto relâmpagos e trovões, qual guerra dos elementos, pareciam fazer o céu cair dos eixos sobre a terra.
  16. Surge Vénus, estrela da manhã, deusa do amor e mensageira da bonança que afugenta Oríon, mensageiro da tempestade.
  17. Vénus crê que a tempestade é obra de Baco e manda as Ninfas pôr grinaldas de rosas.
  18. Mostrando aos ventos a beleza das Ninfas, manda abrandar por amores a sua força.
  19. Logo que as viram, perderam as forças com que antes lutaram, obedecendo-lhes, Oritia disse a Bóreas, que tanto lhe queria:
  20. Como pode a ninfa acreditar num vento feroz, no seu amor? Se não põe freio a tanta loucura, não poderá mais amá-lo, pois o amor dela converter-se-á em medo.
  21. O mesmo faz Galateia a Noto que de contente de ver que a dama o manda, logo abranda.
  22. As outras fizeram o mesmo aos outros amadores que se entregaram a Vénus que lhes prometeu eternos favores se forem leais nessa viagem.
  23. Já amanhecia nos outeiros da Índia, quando do alto da gávea os marinheiros avistaram terra. Já longe da tormenta, o medo voa dos peitos e o piloto afirma que chegaram a Calecut.
  24. O piloto continua a dizer que se não desejam mais terra, ali acaba a aventura, pois chegaram à Índia. Acabado o sofrimento, Gama ajoelha-se e alegremente agradece a Deus.
  25. Tinha razão em dar graças, pois não somente encontrou o que buscava, mas também se livrou de perigos e cansaços vários, bem como da morte, como se tivesse despertado de um pesadelo.

 

 

 

 

Adamastor – resumo

21 Jul

 

Este episódio é o mais rico e complexo do poema, de natureza simbólica, mitológica e lírica.

Estâncias 37-38 – Introdução

Estâncias 39-48 – Adamastor 1

Estância 49 – Transição

Estâncias 50-59 – Adamastor 2

Estância 60 – Epílogo

Notar a distribuição equilibrada dos assuntos nas estâncias.

Tanto Vasco da Gama como o Gigante aparecem como narradores e personagens.

No plano histórico, simboliza a superação pelos portugueses do medo do “Mar Tenebroso”, das superstições medievais que povoavam os oceanos de monstros e de abismos. Adamastor é uma visão, uma alucinação que existe só na crendice dos portugueses. É contra os seus próprios medos que triunfam.

No plano lírico é um dos pontos mais altos do poema, retomando dois temas da lírica camoniana: o do amor impossível e o do amante rejeitado; Adamastor, um dos gigantes filhos da Terra, apaixonou-se pela nereida Tétis. Não correspondido, tenta tomá-la à força, provocando a cólera de Júpiter que o transforma no Cabo das Tormentas.

Este episódio é importante pois nele se concentram as grandes linhas da epopeia:

  1. O real maravilhoso (dificuldade na passagem do cabo)
  2. A existência de profecias (história de Portugal em prolepse)
  3. Lirismo (história de amor)
  4. Episódio trágico
  5. Episódio épico com a vitória do homem sobre os elementos.

ENREDO

Est. 37 – A viagem é rápida e próspera até surgir uma nuvem que escurece os ares.

Est. 38 – A nuvem vinha tão carregada que estarreceu os nautas. Ao longe, o mar quase os ensurdecia a bater contra os rochedos. V. Gama pergunta aos céus o que era aquilo que parecia algo mais do que uma simples tempestade. O cenário medonho contribui para tornar o gigante mais aterrador.

Est. 39 – Ainda o capitão não terminara de falar quando surgiu uma figura enorme e maléfica, descrita do geral (uma figura) para o particular (olhos, boca, dentes…).

Est. 40 – Tão grande era a figura que foi comparada ao colosso de Rodes, uma das sete maravilhas do mundo antigo. No quarto verso começa a falar num arrepiante tom de voz.

Est. 41 – O gigante apostrofa os nautas de ousados, afirmando que nunca repousam na sua demanda, pois chegaram aos confins proibidos, onde nenhum outro barco chegou.

Est. 42 – Já que os nautas foram tão ousados, o gigante ordena-lhes que escutem as profecias dos sofrimentos futuros, consequências do seu atrevimento.

Est. 43 – Afirma que os navios que voltarem a cruzar aqueles mares terão aquele cabo como inimigo. A primeira armada perderá ali quatro naus em que o dano, o naufrágio, seria maior que o perigo pois seriam apanhados de surpresa.

Est. 44 – Vingar-se-á do seu descobridor, Bartolomeu Dias, e destruirá outras embarcações. Ameaça que o menor mal será a morte.

Est. 45 – É citado o primeiro vice-rei da Índia e sua vitória contra os turcos. Também ele é ameaçado com futuras desgraças.

Est. 46 – Cita a desgraça da família de Sepúlveda que, depois de um naufrágio, sofrerão grandes padecimentos.

  1. Diz que os filhos de Manuel Sepúlveda morrerão de fome e a sua esposa ultrajada pelos indígenas, depois de caminhar pela areia escaldante do deserto.
  2. Os sobreviventes verão Manuel Sepúlveda e a sua esposa a morrer no mato quente e inóspito.
  3. Vasco da Gama interrompe o monstro perguntando quem era aquele ser que tanto o maravilhava. O gigante responde amargamente, pois vai relembrar o seu troste passado.
  4. Apresenta-se como o cabo tormentoso desconhecido dos geógrafos da Antiguidade, a última porção de terra africana, que se alonga para o Pólo Sul e que está muito ofendido com a ousadia dos navegantes.
  5. Afirma que era um dos titãs, gigantes que lutavam contra Júpiter, que sobrepunham montes para chegar ao Olimpo. Ele, no entanto, procurava a armada de Neptuno.
  6. Cometeu a loucura de lutar contra Neptuno por amor a Tétis, por quem se apaixonou, desprezando as outras deusas. Não há nada no mundo que ele mais queira.
  7. Ao ver frustrado o seu amor por ser monstruoso, resolveu conquistá-la pela guerra e manifestou a sua intenção a Dóris, mãe da ninfa, mas Tétis respondeu à mãe que uma ninfa não poderia aguentar um gigante.
  8. Contudo, para livrar o oceano da guerra, tentará solucionar o problema com dignidade. O gigante, cego de amor, não percebeu que as promessas de mãe e filha eram falsas.
  9. Uma noite, enlouquecido de paixão e desistindo da guerra, vê o rosto amado de Tétis. Correu, abrindo os braços, para a beijar.
  10. O gigante não consegue expressar a mágoa que sentiu, porque, ao julgar que abraçava a sua ninfa, viu-se agarrado a um duro monte. Sem palavras e imóvel, tornou-se numa rocha junto de outra rocha.
  11. Adamastor invoca Tétis, perguntando porque não o manteve na ilusão de abraçá-la. Dali partiu, louco de mágoa e de desonra, procurando outro lugar onde não se rissem da sua tristeza.
  12. Os Titãs foram vencidos e soterrados para segurança dos deuses, contra quem é impossível lutar. Adamastor anuncia o seu triste destino.
  13. O gigante transforma-se em terra e pedras, os seus membros alongam-se para o mar num promontório. Para sofrer mais ainda, a sua ninfa costuma banhar-se nas águas próximas.
  14. O gigante desapareceu num terrível choro. Vasco da Gama implora ao céu que as profecias do monstro não se concretizem.

 

Resumo de “A AIA” de Eça de Queirós

21 Jul

Um rei jovem e valente partira a  batalhar   por terras  distantes, deixando só  e triste  a  rainha e um  filho pequeno. Desafortunadamente, o  rei perdeu a vida numa das batalhas  e foi chorado pela sua  esposa. Sendo  herdeiro  natural do trono, o  bebé estava  sujeito aos ataques  de inimigos  dos   quais  e  destacava o seu tio, irmão bastardo  do rei morto que   vivia  num castelo sobre os montes, com uma horda de rebeldes. O pequeno príncipe era amamentado por uma aia,  mãe de  um  bebé   também pequeno. Alimentava  os dois  com igual carinho pois um era seu filho e outro viria a ser seu rei. A escrava mostrava uma lealdade sem limites.

Ora, como se esperava, o bastardo desceu da serra com a sua horda e começou uma matança sem tréguas. A defesa estava fragilizada pois a rainha  não  sabia  como fomentá-la, limitando-se a temer e  a  chorar a sua fraqueza  de  viúva   sobre  o  berço  de  seu  filho. Uma noite,  a aia pressentiu  uma movimentação  estranha,  verificando a presença de homens no palácio. Rapidamente  se apercebeu do que iria passar-se e trocou, sem hesitar, as crianças dos respetivos berços. Nesse instante,  um homem enorme entrou  na câmara, arrebatou do  berço de marfim o  pequeno corpo que ali descansava  e partiu  furiosamente.  A rainha, que  entretanto   invadira  a  câmara, parecia louca  ao verificar as roupas desmanchadas e o berço  vazio. A aia mostrou-lhe, então, o berço de verga e o jovem príncipe que ali dormia.

Entretanto, o   capitão  dos guardas  veio avisar  que  o bastardo   havia sido vencido, mas  infelizmente  o corpo  do  príncipe tinha também  perecido. A rainha mostrou, então, o bebé e, identificando a sua salvadora, abraçou-a e beijou-a, chamando-lhe irmã  do  seu  coração. Todos  a aclamaram, exigindo que fosse recompensada. A rainha  levou-a   ao tesouro real,  para  que  pudesse  escolher a joia que mais lhe agradasse. A ama, olhando o céu, onde  decerto estava o seu menino, pegou   num punhal e cravou-o no seu coração, dizendo que agora que tinha salvado o seu príncipe tinha de ir dar de mamar ao seu filho.

Estrutura da Ação

Introdução

(dois primeiros parágrafos)

    Apresentação  do rei e do seu reino.  Partida  do  rei, deixando sozinhos a rinha, o filho e o reino.
Desenvolvimento

(de “A rainha chorou magnificamente o rei …” até ” Era um punhal  de um  velho rei  (…)  e que valia uma província.”)

    Comportamento das personagens aquando da morte do rei: a aia troca as crianças  quando pressente o ataque ao palácio pelo ambicioso tio e a sua horda; morte do tio e do escravozinho; reação das personagens à morte do suposto principezinho.
Conclusão

( três últimos parágrafos)

    Por amor ao filho, a aia suicida-se.

Da  conclusão infere-se que se considerarmos  a  história da aia, estamos  perante uma narrativa fechada, pois apresenta um desenlace irreversível.

A   articulação  das  sequências  narrativas  (momentos  de   avanço)  faz-se  por encadeamento. Os momentos de pausa abrem e fecham a narrativa e interrompem, por vezes, a narração com descrições (espaço, objetos, personagens).

Símbolos

Ao longo da ação,  há inúmeras referências ao ouro, material precioso e incorruptível, símbolo de perfeição. Para além do seu valor material,  simboliza a salvação, a elevação de uma forma superior de vida, mais espiritual. O  príncipe, frágil e inocente, tem cabelos louros e dormia no seu berço com o seu guizo de ouro fechado na mão. Na câmara dos tesouros todos os objetos cintilavam e até o céu se tingia de ouro. E era  no céu, que se encontrava o escravo, salvo dos perigos e era junto dele que a aia desejou estar.

Por outro lado, a presença da escuridão, da noite ao longo da ação, acentua o carácter  trágico da mesma. Os cabelos negros do escravo, em contraste com os cabelos louros do príncipe são referências à morte do primeiro versus a salvação do segundo.

 

AS PERSONAGENS
Neste texto, ressalta uma ambivalência de temor que envolve as  personagens nobres, habitantes de um palácio.

Personagens Caracterização física Caracterização psicológica
Rei Moço, formoso Valente, alegre, rico, poderoso, sonhador, ambicioso.
Rainha Desventurosa, chorosa, solitária, triste, angustiada, grata, surpreendida.
Tio Face escura, homem enorme Mau, terrível, cruel, ambicioso, selvagem
Aia Bela, robusta, olhos brilhantes Leal, nobre, venerável, sofredora, dedicada, terna, perspicaz, decidida, corajosa
Príncipe Cabelo louro e fino, olhos reluzentes Frágil, inseguro
Escravo Cabelo negro e crespo, olhos reluzentes Simples, seguro e livre

 

Ao longo do  texto  está  presente   o processo de caracterização direta, visto  que   as informações são-nos  dadas  pelo  narrador. No   entanto, há também  informações que  são  deduzidas   a  partir do comportamento das  personagens  (caracterização  indireta).

Deste quadro  de personagens, destaca-se,    obviamente,  aquela  que  dá  nome  ao conto – a Aia, personagem  principal, tornando-se modelada, no  fim  do  conto, porque  adquire uma densidade psicológica significativa. Mulher de uma  dedicação desmesurada ao filho, ao  príncipe e   aos  reis prova,  com  o   gesto da troca das crianças, uma grandeza  de  alma  que  não  pode ser   compreendida   por nenhum  humano  e que, por consequência, não   tem nenhuma   recompensa ou pagamento material. A crença espiritual que alimenta o seu gesto  demonstra uma linearidade e uma simplicidade de   pensamento que  coloca  o  dever acima de tudo: o dever de escrava  e  o  dever  de mãe. O  desejo  da aia  de provar que a cobiça e a ambição podem estar arredadas de um coração leal,  fez  com que   ela escolhesse um punhal para pôr termo à sua vida. Trata-se  de   um objeto  pequeno,  certeiro que remete para  o  carácter   decidido  da   personagem e que era o maior tesouro  que aquela mulher ambicionava, pois, esse  objeto lhe abriria caminho para o encontro com o seu filho, para cumprir o seu  dever de  mãe, dando-lhe de mamar.

O rei, a rainha, o tio, o príncipe  e o escravo são personagens  secundárias e planas. Não são identificadas por um nome próprio uma  vez que remetem  para a intemporalidade da história. As crianças estão, no conto,  marcadas pela sua  posição social: uma  dorme em berço de  ouro entre   brocados,  a  outra,  num  berço  pobre e  de  verga. À hora da morte é  por essa  marca  que  o inimigo  vai identificar o  futuro rei. O  príncipe não intervém diretamente  na ação, mas é  o   centro das atenções de  todas  as personagens. A personagem escravo existe  para salvar a vida do príncipe.
– O ESPAÇO A ação é  localizada  num  reino grande e rico, e decorre num palácio, erguido num reino próspero « abundante em cidades e searas». Toda   ação  decorre nesse  espaço, sendo que alguns recantos do palácio são sobrevalorizados por oposição a  outros,  por  exemplo, a  câmara onde o príncipe e o filho da escrava dormiam e  a câmara dos tesouros.

No entanto, alguns espaços  exteriores adquirem alguma importância: o primeiro é o  espaço onde se efetiva  a  derrota do rei e consequente morte que vai deixar a rainha viúva,  o filho   órfão e o povo sem rei; o segundo acaba por ser um elemento caracterizador do   vilão  do  conto: «vivia  num castelo, à maneira de um lobo, que entre a  sua  alcateia, espera a presa». Através   desta  apresentação, o  leitor fica  na  expectativa  do   que irá acontecer, visto que  ela é indicadora de  confrontação e de tragédia. É também determinante no clima que se vive no  palácio, que denota temor e insegurança.
O espaço é descrito do  geral  para o particular, do  exterior para   o  interior.

Primeiramente, é  nos apresentado «um reino abundante em cidades e searas», onde se situa um  palácio, habitado por um príncipe frágil que é protegido no seu berço pela sua   ama. À medida que se desenrolam os   acontecimentos,  o espaço  vai-se  concentrando cada vez mais, acabando a Aia por se suicidar na câmara dos  tesouros.

No exterior,  no  alto, encontramos um «castelo sobre os montes», « o cimo das serras»,  povoado pelo tio bastardo e a   sua horda, que vigiam a presa – o príncipe que vivia no palácio. Cá em baixo, «na planície, às portas da cidade» existe um palácio, onde a população   e  o   príncipe  estão desprotegidos e são presa fácil. No interior da «casa real» há uma câmara com  um berço, um pátio, a galeria  de mármore, a câmara dos tesouros, onde estão a  rainha, a aia, o príncipe e o escravo.

Quanto  ao espaço  social,   é descrito o  ambiente da corte – palácio, rei, rainha, aias, guardas.
– O TEMPO
Não há referências a datas ou locais que permitam localizar a ação no tempo. Há  apenas algumas expressões referentes ao tempo: «lua cheia », «começava a minguar», «noite de Verão», «noite de silêncio», «luz da madrugada».

É à noite que acontecem os principais acontecimentos desta história – a morte do rei, o nascimento do príncipe e do escravo, o ataque ao palácio, a troca das crianças, As mortes do escravo, do tio e da sua horda. No entanto, a ação culmina com a  morte da aia, de madrugada.

O   núcleo central da ação centra-se  numa noite. A Condensação de um tempo da história  tão  longo, numa  narrativa   curta (conto) implica a utilização  sistemática  de sumários ou resumos  (processo pelo qual o tempo do discurso é menor do que o tempo da  história).

É possível  também identificar  no   texto um outro processo de redução do tempo da  história, que é  a   elipse (eliminação, do discurso,  de  períodos  mais  ou  menos longos da história). Na  parte  inicial  da  ação, «a   lua  cheia que   o vira  (o rei) marchar» começava a minguar, quando um dos seus cavaleiros aparece  trazendo  a notícia da sua morte.

Quanto à ordenação dos acontecimentos, predomina o  respeito pela  sequência cronológica.

Crónica – definição e exemplo

18 Out

O termo crónica pode designar dois géneros textuais:

  • relatos históricos da Idade Média, (séc. XV-XVI), onde são narrados eventos das duas primeiras dinastias portuguesas.

ex:

http://www.azpmedia.com/espacohistoria/index.php/cronica-de-d-joao-i/i-o-rei-de-castela-nao-aceita-a-regencia-e-senhorio-da-sogra

  • crónicas de imprensa – onde se registam acontecimentos do quotidiano, atuais e que poderão ser pouco relevantes.

Através de um discurso pessoal e subjetivo, o autor comenta os factos narrados, refletindo sobre vários aspetos.

Por vezes as crónicas são consideradas como textos literários (conforme a riqueza da linguagem)

ex:

http://visao.sapo.pt/ricardo-araujo-pereira=s23462

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