O avô, a maninha, a mamã, o Bobby e a Tareca

7 Dez

Boa noite, meninos,

Chega de apontamentos chatos e de fichas, hoje vai ser diferente:

Como sabem, estou doente e, já que ninguém me conta uma história, vou eu contar-vos o que vai acontecendo a uma família complicada que imaginei.

Se vier a ganhar alguns tostões com estas histórias, uma boa percentagem deles irá para os avós de hoje (lares de terceira idade), para os maninhos (orfanatos), as mamãs, (apoio a mães solteiras, viúvas ou divorciadas) e para a brigada das patinhas (canis e gatis).

Vá, vamos começar:

Havia um menino da vossa idade, vamos chamar-lhe Rodrigo, que tinha um avô esquecido, rabugento, mas divertido, uma mãe complicada, superprotetora, mas carinhosa e desastrada, um bebé chorão e cagão, mas lindo de morrer, um cão com mau feitio, destruidor, engolidor tipo avestruz, mas felpudíssimo e engraçado (grande cúmplice do bebé pelo facto de também ser cagão) e uma gatinha que ora toma banho, olhando para o cão com desdém, ora o provoca, ora se torna “ninja”, ou seja, fica doida de todo.

Vamos encontrar o Rodrigo a estudar aplicadamente na secretária nova do Ikea (que queriam? a mãe era solteira, o malandro do pai deixara-os sem amparo, sobrevivendo à custa da pensão do avô que era considerado rico, por ganhar mil e tal por mês, mas que via a pensão ser cortada todos os dias; a mãe pedira rescisão de uma escola pública, ganhando poucos milhares, mas preferiu isso a aturar meninos como vocês)… onde é que eu ia? Vocês fazem-me perder o fio à meada direta e indiretamente, (indica a classe e a subclasse desta palavra, muuuaahahahaha) … ah, o menino estudava com cara de menino aplicado, quando, de súbito (não é derrepente!!!) vem a mamã e dá tal berro que o Rodrigo dá um salto na cadeira e cai em cima da cauda da Tareca que bufa para o Bobby.

– Com que então a fingir que estudas com um livro de aventuras por baixo do livro de matemática?

– Mas, ó mamá, o livro é brutal, cool, fixe! E que susto! A Tareca até ficou com a cauda grossa.

– Não sei a quem sais, o teu pai, eu e o teu avô quase não lemos desde que descobrimos as nintendos, as ps’s   , e o facebook e além disso a matemática também é brutal, cool, fixe!

– Se queres falar no meu pai, ao menos diz-me quem é!

– É um facínora que nos abandonou!

O Avô pigarreou (sabes o que significa? É fazer hrrraaam  hrrraaam com a garganta, mais para interromper uma conversa do que para limpar a dita garganta) e resmungou (já viste a quantidade de rr? É para mostrar que o avô está quezilento):

– O teu pai é um homem de bem, crente a Deus e de direita. Creio que algo misterioso lhe aconteceu, desde que desapareceu.

– É, foi à esquina comprar cigarros e nunca mais voltou, como acontece em todas as novelas! – replicou a mãe – Pai, não morda a perna da gata!

– Ups, desculpa, Tarequinha, pensei que era a perna do cabrito, estou sem óculos.

Olharam espantados para o idoso senhor que roía entusiasmado a perna do cabrito assado na véspera:

– Avô, essa é a perna que o Bobby roubou da mesa! Deve estar toda babada!

– Deite isso fora.

– No meu tempo, nada se desperdiçava! Ainda dizem que há crise!

– E há! Se o Rodrigo não estudar Matemática, como é que lhe vou pagar uma explicadora?

– Tu também não fazes nada, mamã.

– Ando à procura de emprego, bem sabes.

– Podes pedir à criada estrangeira sexy que nós vimos obrigados a despedir que dê explicações de matemática ao puto. Ela era professora universitária no país dela.

– Não é criada, pai, é empregada doméstica. E não é “sexy”, é elegante.

– Não é empregada doméstica, mã, é auxiliar doméstica. E não é elegante, é “toda boa”.

– Vá, estuda e cala-te.

– Não mandes calar a criança, filha!

– E o pai continue a roer a perna da gata, digo , do carneiro e deixe-se de quimeras acerca do pai dele.

– Já te disse, – sussurrou o avô, fazendo voz de filme de terror – o meu filho está vivo e vai voltar, quando eu ganhar o euromilhões para o ir procurar.

Virou costas ao sogro e foi dar biberão ao bebé. (continua)

E então, queres que continue? Tu é que mandas! Por onde andará o valdevinos do pai do Rodrigo? Que lhe terá acontecido? Queres uma grande aventura em busca dele ou preferes que a mãe arranje um padrasto para o Rodrigo? posso até fazer duas continuações e tu escolhes a que preferires.

E agora, toca a fazer a caracterização das personagens. Ups, desculpa, é vício de profissão.

cá estão elas:

Rodrigo

avô

pai de Rodrigo como ele o imagina

pai de Rodrigo como a mamã se lembra dele

mãe de rodrigo (à direita, à esquerda é o pai)

o bebé (Ester)

auxiliar doméstica estrangeira

Tareca

Bobby

Gostaste das personagens? Então fica atento(a) aos próximos episódios!

2 Respostas to “O avô, a maninha, a mamã, o Bobby e a Tareca”

  1. limina60 Dezembro 7, 2013 às 9:00 pm #

    Há um problema com os links, mas descobri que o rapaz Rodrigo tem um link para outro artigo deste blog, chamado “um estranho casamento”, em que Rodrigo já é adulto noutra história e é o irmão da noiva, nada mais que a bebé Ester, também adulta e a casar-se com um homem do qual não se lembra do nome. Esse artigo, é também uma ficha de trabalho com perguntas sobre o excerto. Gostei, está completamente doido!

  2. ilovecoldwinters Dezembro 7, 2013 às 9:22 pm #

    É impressão minha ou as fotos do pai do rodrigo e dele próprio são o daryl dixon do walking dead? Hummm eheheh história muito fofa! Continua

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