Adamastor – resumo

21 Jul

 

Este episódio é o mais rico e complexo do poema, de natureza simbólica, mitológica e lírica.

Estâncias 37-38 – Introdução

Estâncias 39-48 – Adamastor 1

Estância 49 – Transição

Estâncias 50-59 – Adamastor 2

Estância 60 – Epílogo

Notar a distribuição equilibrada dos assuntos nas estâncias.

Tanto Vasco da Gama como o Gigante aparecem como narradores e personagens.

No plano histórico, simboliza a superação pelos portugueses do medo do “Mar Tenebroso”, das superstições medievais que povoavam os oceanos de monstros e de abismos. Adamastor é uma visão, uma alucinação que existe só na crendice dos portugueses. É contra os seus próprios medos que triunfam.

No plano lírico é um dos pontos mais altos do poema, retomando dois temas da lírica camoniana: o do amor impossível e o do amante rejeitado; Adamastor, um dos gigantes filhos da Terra, apaixonou-se pela nereida Tétis. Não correspondido, tenta tomá-la à força, provocando a cólera de Júpiter que o transforma no Cabo das Tormentas.

Este episódio é importante pois nele se concentram as grandes linhas da epopeia:

  1. O real maravilhoso (dificuldade na passagem do cabo)
  2. A existência de profecias (história de Portugal em prolepse)
  3. Lirismo (história de amor)
  4. Episódio trágico
  5. Episódio épico com a vitória do homem sobre os elementos.

ENREDO

Est. 37 – A viagem é rápida e próspera até surgir uma nuvem que escurece os ares.

Est. 38 – A nuvem vinha tão carregada que estarreceu os nautas. Ao longe, o mar quase os ensurdecia a bater contra os rochedos. V. Gama pergunta aos céus o que era aquilo que parecia algo mais do que uma simples tempestade. O cenário medonho contribui para tornar o gigante mais aterrador.

Est. 39 – Ainda o capitão não terminara de falar quando surgiu uma figura enorme e maléfica, descrita do geral (uma figura) para o particular (olhos, boca, dentes…).

Est. 40 – Tão grande era a figura que foi comparada ao colosso de Rodes, uma das sete maravilhas do mundo antigo. No quarto verso começa a falar num arrepiante tom de voz.

Est. 41 – O gigante apostrofa os nautas de ousados, afirmando que nunca repousam na sua demanda, pois chegaram aos confins proibidos, onde nenhum outro barco chegou.

Est. 42 – Já que os nautas foram tão ousados, o gigante ordena-lhes que escutem as profecias dos sofrimentos futuros, consequências do seu atrevimento.

Est. 43 – Afirma que os navios que voltarem a cruzar aqueles mares terão aquele cabo como inimigo. A primeira armada perderá ali quatro naus em que o dano, o naufrágio, seria maior que o perigo pois seriam apanhados de surpresa.

Est. 44 – Vingar-se-á do seu descobridor, Bartolomeu Dias, e destruirá outras embarcações. Ameaça que o menor mal será a morte.

Est. 45 – É citado o primeiro vice-rei da Índia e sua vitória contra os turcos. Também ele é ameaçado com futuras desgraças.

Est. 46 – Cita a desgraça da família de Sepúlveda que, depois de um naufrágio, sofrerão grandes padecimentos.

  1. Diz que os filhos de Manuel Sepúlveda morrerão de fome e a sua esposa ultrajada pelos indígenas, depois de caminhar pela areia escaldante do deserto.
  2. Os sobreviventes verão Manuel Sepúlveda e a sua esposa a morrer no mato quente e inóspito.
  3. Vasco da Gama interrompe o monstro perguntando quem era aquele ser que tanto o maravilhava. O gigante responde amargamente, pois vai relembrar o seu troste passado.
  4. Apresenta-se como o cabo tormentoso desconhecido dos geógrafos da Antiguidade, a última porção de terra africana, que se alonga para o Pólo Sul e que está muito ofendido com a ousadia dos navegantes.
  5. Afirma que era um dos titãs, gigantes que lutavam contra Júpiter, que sobrepunham montes para chegar ao Olimpo. Ele, no entanto, procurava a armada de Neptuno.
  6. Cometeu a loucura de lutar contra Neptuno por amor a Tétis, por quem se apaixonou, desprezando as outras deusas. Não há nada no mundo que ele mais queira.
  7. Ao ver frustrado o seu amor por ser monstruoso, resolveu conquistá-la pela guerra e manifestou a sua intenção a Dóris, mãe da ninfa, mas Tétis respondeu à mãe que uma ninfa não poderia aguentar um gigante.
  8. Contudo, para livrar o oceano da guerra, tentará solucionar o problema com dignidade. O gigante, cego de amor, não percebeu que as promessas de mãe e filha eram falsas.
  9. Uma noite, enlouquecido de paixão e desistindo da guerra, vê o rosto amado de Tétis. Correu, abrindo os braços, para a beijar.
  10. O gigante não consegue expressar a mágoa que sentiu, porque, ao julgar que abraçava a sua ninfa, viu-se agarrado a um duro monte. Sem palavras e imóvel, tornou-se numa rocha junto de outra rocha.
  11. Adamastor invoca Tétis, perguntando porque não o manteve na ilusão de abraçá-la. Dali partiu, louco de mágoa e de desonra, procurando outro lugar onde não se rissem da sua tristeza.
  12. Os Titãs foram vencidos e soterrados para segurança dos deuses, contra quem é impossível lutar. Adamastor anuncia o seu triste destino.
  13. O gigante transforma-se em terra e pedras, os seus membros alongam-se para o mar num promontório. Para sofrer mais ainda, a sua ninfa costuma banhar-se nas águas próximas.
  14. O gigante desapareceu num terrível choro. Vasco da Gama implora ao céu que as profecias do monstro não se concretizem.

 

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