Tempestade – tópicos

21 Jul
  • São dois os sinais que indiciam o início de uma tempestade: o vento torna-se progressivamente mais forte (est. 70, vv. 5 e 7) e aparece uma “nuvem negra” (est. 70, v. 8).
  • O mestre manda recolher as velas: primeiro os “traquetes das gáveas” (est. 70, v. 6), depois a “grande vela” (est. 71, v. 4).
  • O mestre é, acima de tudo, um comandante experiente, atento ao meio envolvente. As suas ordens são enérgicas e assertivas (note-se como recorre insistentemente ao modo imperativo dos verbos amainar e alijar , de modo a orientar a atuação dos marinheiros). A forma como fala – “a grandes brados” e “rijamente” – denuncia também a firmeza e a segurança da sua liderança. 3.1. Embora tenham sido apanhados desprevenidos pela tempestade (est. 70, vv. 3-4) e, numa fase inicial, atuem de forma descoordenada e amedrontada (est. 72, vv. 1-2), ao ouvirem o mestre, os marinheiros obedecem-lhe num misto de ânimo, dureza, esforço e cooperação, recolhendo as velas, lançando a carga ao mar, dando à bomba e meneando o leme.
  • Quanto às embarcações, a nau de S. Gabriel fica com a vela grande desfeita e cheia de água (est. 72-73); a nau S. Rafael, com o mastro partido e alagada (est. 75). Os animais, por seu turno, tentam proteger-se da tempestade: os golfinhos escondem-se na cova marítima e as aves cantam tristemente (est. 77). Em relação à flora, são derrubados muitos montes e arrancadas árvores (est. 79) e as areias do fundo do mar são remexidas.
  • O movimento agitado e impetuoso das águas é realçado pelas perífrases metafóricas (est. 76) e pelo adjetivo anteposto, no superlativo absoluto sintético ( “altíssimos mares” , est. 74).
  • A força impetuosa dos ventos é sugerida sobretudo pela personificação (est. 76, vv. 5-6; est. 79, v. 4), pela comparação (est. 84), pela hipérbole (est. 74, vv. 1-4) e pela aliteração de sons sibilantes e nasais (est. 79, 84).
  • A intensidade dos relâmpagos e dos raios é enfatizada pelas comparações mitológicas de teor hiperbólico (est. 78) e pelo adjetivo anteposto ( “vivos raios” ).
  • Receando que o seu desejo de chegar à Índia não se concretize, Gama faz uma prece revelando-se inseguro e temendo pela vida.; b. F. – Gama invoca a Guarda Divina na segunda pessoa do singular (“ senhoreias” , “Tu” , “livraste” , “guardaste” …).; c. V. – est. 81, vv. 3-8; est. 82, vv. 7-8; d. V. – est. 83, vv. 5-8. 5.1. Entre as duas formas de descrição estabelece-se uma relação de contraste absoluto: no auge da tempestade descreve-se uma Natureza agitada, disfórica e destruída (montes derrubados, árvores arrancadas, areias do fundo do mar revolvidas), indutora de sofrimento (cf. comportamento das “Alcióneas aves” e dos golfinhos); no período de acalmia, uma Natureza calma e indutora de felicidade e de harmonia – manhã “clara” , “Ganges mur    murando soa” (est. 92, vv. 1-2) (Nota: A harmonia é sugerida quer pelo léxico quer pelas aliterações e assonâncias).
  • Ao avistar terra, Vasco da Gama ajoelha-se e agradece a Deus o facto de ter escapado à morte e chegado à Índia.

 

 

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