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cenas II a IX do ato I de “Leandro, o rei da Helíria” de Alice Vieira

27 May

Cena II
Hortênsia, Amarílis, Rei, Bobo, Aias

HORTÊNSIA: Faláveis de nós, meu pai?
REI: Pois de quem mais poderia ser? Não sois vós o sol que alumia a minha velhice?
AMARÍLIS: Velhice? Quem vos ouvir pensará que o vosso fim está perto! Meu pai: vós sois ainda um jovem, estais agora na plena posse de vossas faculdades!…
HORTÊNSIA: Tomaram muitos príncipes moços, dos reinos vizinhos, terem a vossa agilidade, o vosso tacto, a vossa inteligência, a vossa lucidez…
BOBO: A vossa quê?!
HORTÊNSIA (impaciente): Lucidez.
BOBO: Ah! Pareceu-me ouvir falar em Lucifer, e eu com esse não quero conversas! (Canta:)
Foge de mim, Lucifer
que te esmago se eu quiser
com pilão ou com colher
para depois te comer
Vá de retro Satanás
que te meto no cabaz
onde esmagado serás
pelas pinças da tenaz
vai à vida Belzebu
mete os cornos no baú
que te embrulho em pano-cru
e te como com peru
glu glu glu glu glu glu glu
AMARÍLÍS: Cala-te, impertinente! Só dizes inconveniências! És a vergonha desta corte.
BOBO: Ah! Agora sou impertinente! Agora sou a vergonha desta corte!
REI: Não estás a ser um modelo de virtudes, hás-de concordar…
BOBO (para Amarílis): Pois é, mas há bocado, quando me chamaste para eu te cantar umas trovas sobre a tua irmãzinha (aponta para Hortênsia), já eu te servia, já eu não dizia inconveniências…
HORTÊNSIA (intrigada): Trovas a meu respeito?
AMARÍLIS (aflita): Não foi nada do que estás a pensar…
HORTÊNSIA: O que vem a ser isso?
AMARÍLIS: Nada, nada…
BOBO: Quem nada não se afoga…
HORTÊNSIA: Quero saber, já!, o que foi que tu cantaste a meu respeito, bobo imbecil!
BOBO: Eu? Eu não cantei nada! Posso ser imbecil, mas não sou maluco!… Ela (aponta para Amarílis), ela é que me pediu. Que estava aborrecida, dizia ela. Que eu inventasse cantoria afinada a teu respeito, coisa caprichada, que a fizesse rir à gargalhada…
HORTÊNSIA: Não faltava mais nada senão ser motivo de chacota para a minha irmã! E afinal que foi que tu cantaste, velho doido?
BOBO: Nada, senhora, que eu gosto muito da minha pele e não me estava a apetecer ser logo chicoteado pela manhã, se por acaso tu me ouvisses.
REI: Não és tão doido como pareces…
BOBO: Mas ela é que não se calava… e lá ia mandando o mote…
AMARÍLIS: Não lhe dês ouvidos!
BOBO (imitando-a): «Tu que tão bem sabes cantar», dizia ela, «bem podias versejar agora para me pores bem-disposta», dizia ela, «bastaria olhares para Hortênsia, para o seu ar de galinha emproada», dizia ela…
HORTÊNSIA (esbraceja, agarrada por duas aias): Maldita!
BOBO: …«para a sua voz de gata em noite de lua cheia», dizia ela, «para o seu andar que mais parece a jumenta do moleiro quando sobe a encosta carregada de sacos de farinha», dizia ela…
HORTÊNSIA: «A jumenta do moleiro»… Eu mato-a! Eu mato-a!
AMARÍLIS (agarrada por duas aias): Eu dou cabo de ti, miserável linguarudo!
BOBO:… «para os sorrisinhos de sonsa que ela manda para cima de toda a gente», dizia ela…
(As duas irmãs conseguem soltar-se dos braços das aias e andam à bulha uma com a outra, insultando-se mutuamente, enquanto o rei tenta apartá-las)
REI: Então, minhas flores, que triste espectáculo estais a dar! Imaginai que vossos noivos entravam agora aqui e vos viam. Que iriam eles dizer?
AMARÍLIS: Iriam decerto ordenar que este maldito bobo fosse metido a ferros na mais escura masmorra deste castelo!
HORTÊNSIA: Iriam decerto exigir explicações de Amarílis!
AMARÍLIS: Ora, minha irmã! Tem juízo! Estás a dar ouvidos a balelas de um louco que só mesmo a grande bondade de nosso pai mantém nesta casa… Quando me casar, bobo assim não entra no meu palácio! Antes morrer de tédio a vida inteira!
REI: Ora vá, fazei as pazes, que eu não gosto de ver as minhas flores assim tão alteradas.

Cena III
Os mesmos mais Violeta
VIOLETA: Mas que barulheira infernal! Que vem a ser isto?
BOBO (voltando-se para a plateia, canta):
Que lhe hei-de chamar? Berrata?
bulha? inveja? zaragata?
tareia? surra? bravata
entre duas castelãs?
Antes que venha a chibata,
vou dizer que é… serenata,
e que isto é amor de irmãs!…
VIOLETA: Estava eu a tocar o meu alaúde quando, de repente, o barulho foi tanto, que parecia que tinha rebentado uma tempestade!
HORTÊNSIA: Vai, vai tocar o teu alaúde, que a conversa não é contigo…
AMARÍLIS: Foi apenas uma breve troca de palavras em tom mais elevado. Não te importes, são coisas de gente crescida…
VIOLETA: Que mania a vossa de ainda me considerarem uma criança! (Virando-se para o pai) Pois não é verdade, meu pai, que o Príncipe Reginaldo chegou ao nosso reino há uma semana para pedir a minha mão?
REI (aborrecido): Falemos de outros assuntos…
VIOLETA: É ou não é verdade?
REI: É… é verdade… mas não quero pensar nisso… estou mais preocupado com outras coisas…
BOBO (aparte): Mil ratazanas me mordam se não é ainda a porcaria do sonho a atazanar-lhe o juízo!
VIOLETA: Ouvistes, minhas irmãs? O Príncipe Reginaldo está neste reino, e quer casar comigo!
HORTÊNSIA e AMARÍLIS (cm coro): O Príncipe Reginaldo?! Esse pelintra?
REI: Meninas! Então! Tende tento na língua, minhas flores!
BOBO (aparte): E depois eu é que digo inconveniências…
REI: Dizias alguma coisa, bobo?
BOBO: Dizia que o Príncipe Reginaldo é um belo moço, não desfazendo…
HORTÊNSIA e AMARÍLIS: Belo mocó? Deixa-me rir! (Cantam)
HORTÊNSIA: Tem olhos tortos
AMARÍLIS: e ratos mortos nas algibeiras!
HORTÊNSIA: Anda de lado todo entrevado
AMARÍLIS: Só diz asneiras!
HORTÊNSIA: Se faz calor traz cobertor
meias de lã
AMARÍLIS: E se faz frio
nada no rio
pela manhã
HORTÊNSIA: Ri se está triste!
AMARÍLIS: Chora de um chiste!
HORTÊNSIA: É fraca rês…
AIAS (em coro): Dizem que é louco!
HORTÊNSIA e AMARÍLIS (ao ouvido de Violeta): Vai fazer pouco de nós as três!
VIOLETA: Não vos apoquenteis, irmãs! Se for tudo isso que dizeis, eu saberei como viver com ele. É comigo que ele quer casar, e não com qualquer de vós. O problema é meu.
HORTÊNSIA: E irás deixar sozinho o nosso pai?
AMARÍLIS: Olha que ele já não é criança! Vê como está alquebrado, como as suas forças lhe vão faltando, como se arrasta com dificuldade…
BOBO: Mau… Há bocado era um jovem na flor da idade, agora já se arrasta com dificuldade… Muito depressa envelhecem os reis, palavra de honra…
REI: Que murmurais vós a meu respeito?
VIOLETA: Senhor, minhas irmãs parecem muito preocupadas com o meu casamento…
REI: Não quero ouvir falar de casamentos. E era de mim que faláveis, que eu bem vos ouvi!
HORTÊNSIA: Senhor, se era de vós que falávamos, decerto seria para gabarmos o vosso andar escorreito, as vossas palavras sempre justas e acertadas…
BOBO (aparte): Fora as que eu lhe oiço quando está sozinho…
AMARÍLIS: Senhor, se era de vós que falávamos, decerto seria para louvar a vossa bondade e o vosso desprendimento pelos bens materiais. Nunca me lembro de vos ver agarrado aos cofres de ouro do reino, e sempre que a minha vaidade de mulher desejou mais um vestido, um toucado, ou uma fita para os cabelos, sempre os meus desejos foram realizados. Pai mais bondoso que vós não existe decerto neste mundo!
REI (sorrindo): Razão tive em escolher para vós nomes de flores: sois as flores da minha vida, e melhores filhas não devem ter existido à face da terra!
BOBO: Então e a mim, ninguém me elogia? (A cena pára, e o Bobo dirige-se à plateia) Salamaleques de um lado, salamaleques do outro, confesso que já estou a começar a ficar um pouco farto… «Sois o melhor pai do mundo»… «Sois as flores do meu jardim»… Então e eu? Não há por aí ninguém que saia em minha defesa? Claro que eu não exijo que digam que sou o sol das vossas vidas, ou a flor dos vossos jardins… Se calhar vocês
nem têm jardim… Mas ao menos podiam dizer que eu era um bobo jeitosinho, bemapessoado, capaz de levar uma moça ao altar, o melhor bobo que vocês alguma vez conheceram. A propósito, como vamos de bobos neste reino? Se aquilo ali der para o torto, acham que me safo por cá? Que tais as condições de trabalho? Temos caixa, reforma, passe social, lugares cativos no Benfica e no Sporting, essas coisas? E chibata? Apanha-se muita chibatada cá por este reino? Bom, informem-se disso que, assim que acabar a peça, a gente conversa. Mas agora tenho de voltar para a minha história, senão vocês nunca mais sabem como aquilo acaba! Adeusinho!
(A acção é retomada onde estava)
REI (para Violeta): Estás tão calada…
VIOLETA: Perdoai, meu pai, se não vos divirto tanto como as minhas irmãs…
REI: Tudo te perdoo, minha flor entre as flores! Que bem eu fiz em escolher para ti o nome de Violeta: poderá parecer uma flor modesta, mas o seu perfume é tão intenso que nunca passará despercebida onde quer que se encontre.
HORTÊNSIA: Mas Hortênsia é flor de muito maior porte!
BOBO: Sabes que o povo diz que as Hortênsias são mulheres caprichosas e inconstantes?

HORTÊNSIA: E eu quero lá saber do povo…
AMARÍLIS: E a flor da amarilis é de rara beleza…
BOBO: Diz o povo que é mulher artificiosa e enganadora…
AMARÍLIS: O povo? Eu nem sei o que é o povo!

Cena IV
Os mesmos mais Arauto, Conselheiro, Príncipe Felizardo e Príncipe Simplício
(Tocam as trombetas)
ARAUTO: Sua Alteza o Príncipe Felizardo!

AMARÍLIS: O meu noivo! O meu noivo chegou!
ARAUTO: Sua Alteza o Príncipe Simplício!

HORTÊNSIA: É o meu noivo! O meu noivo que se faz anunciar!
(Entram os príncipes acompanhados pelo conselheiro do rei, em vénias e salamaleques desajeitados. Simplício está sempre atrás de Felizardo em todas as cenas, como se fosse a sua sombra e o seu eco. Felizardo é o tipo«príncipe novo-rico», contente consigo, com o seu dinheiro, com tudo o que diz. Simplício c tímido, e com um vocabulário reduzido a uma única frase)
PRÍNCIPE FELIZARDO: Ora cá estamos, neste fim do mundo! (Olha em volta) Apesar de tudo, não é feio, não senhor, não se está aqui mal. (Vira-se para o Rei) E agora, toca a marcar o casório, que eu não sou homem de esperas.
PRÍNCIPE SIMPLÍCIO: Tiraste-me as palavras da boca!
REI: Calina, senhores, haveis chegado neste momento! Ainda nem vos dei as boasvindas e já me estais a falar de negócios!
PRÍNCIPE FELIZARDO: Boas-vindas eu dispenso, meu caro sogro.
AMARÍLIS (para Hortênsia): Ouviste? Já lhe chamou sogro!
HORTÊNSIA (enfastiada): Que querias que lhe chamasse? Mamã?
AMARÍLIS: Estúpida…
PRÍNCIPE FELIZARDO (continuando): … passo bem sem vénias, mesuras e essa traulitada toda…
HORTÊNSIA (baixinho): Que modos, meu Deus…
PRÍNCIPE FELIZARDO (continuando): … e parece-me que fiz tudo o que era preciso. Ora deixa cá ver, Felizardo, deixa cá ver… (Começa a pensar, mas não consegue)… A memória está fraca, deve ter sido da viagem… Com licença (Tira um longo rolo de papel da algibeira e começa a ler) Ora então aí vai: «dragões mortos em acção: 32; dragões mortos enquanto dormiam: 365; bruxas atiradas para o caldeirão: 28; bruxas convertidas em fadas madrinhas: 2» (nisto não sou lá muito bom, tenho de confessar…); «príncipes desencantados, 3» (a maior parte deles não quis, disseram que estavam muito bem assim, que ao menos enquanto estavam encantados não tinham de andar por aí a beijar princesas adormecidas e traulitadas dessas, ah! ah!); «castelos limpos de vampiros e teias de aranha: 698». Isto é que ia sendo o nosso fim… Limpar aquela porcaria toda pôs-me derreadinho que nem posso comigo!

PRÍNCIPE SIMPLÍCIO: Tiraste-me as palavras da boca!
PRÍNCIPE FELIZARDO: Portanto, está tudo feito. E olhai lá, meu sogro, que não fostes peco no pedir, não senhor, ah! ah! Quando podemos marcar a data da boda?
REI: Quando vos aprouver, senhores. Muito me desgosta separar-me das minhas filhas…
BOBO (aparte): Se ele voltar outra vez com a história das flores do seu jardim, emigro!, juro que emigro!
REI (continuando):… mas é o destino de todos os pais, serem trocados pelos maridos.
HORTÊNSIA (ajoelhando junto dele): Não digais semelhante coisa, meu senhor, nem a brincar! Nunca serei capaz de vos trocar por ninguém, tereis sempre lugar cativo no meu coração!
AMARÍLIS: E no meu estareis sempre em primeiro lugar, senhor, e serão sempre para vós os meus primeiros pensamentos quando o sol me acordar pela manhã.
REI: Sois filhas dedicadas, eu sei, e isso coloca-me um grave problema…
TODOS: Que problema, senhor?
PRÍNCIPE FELIZARDO (olhando em roda): Não me digais que ainda ficou algum maldito dragão por matar!
PRÍNCIPE SIMPLÍCIO: Tiraste-me as palavras da boca!
REI: Nada, nada… Por enquanto quero pensar melhor. Talvez consiga encontrar sozinho a solução.
CONSELHEIRO: Não esqueçais, senhor, que estou sempre ao vosso lado!
BOBO: Foi o sonho! Tenho a certeza! Desde que teve esse sonho… ou esse tal recado dos deuses, ele nunca mais foi o mesmo.
REI: Estamos todos fatigados, que o dia já nasceu há muito. Vamos descansar. Amanhã, para comemorar os vossos noivados, darei uma grande festa!
PRÍNCIPE FELIZARDO: Ah, meu querido sogro, festas é cá comigo! Bois assados, vinho a jorrar das pipas, trovas, bailaricos, foguetório no ar… tchhh pum! (imita o estalar dos fogueies)

PRÍNCIPE SIMPLÍCIO: Tiraste-me as palavras da boca!
REI: Tudo estará a vosso contento, tenho a certeza.
HORTÊNSIA: Tudo o que fazeis, senhor, fica sempre bem feito, seja um decreto seja uma festa!
AMARÍLIS: Uma palavra vossa, senhor, e todos se rendem aos vossos desejos.
REI: Pode ser que durante a festa haja uma surpresa… Uma grande surpresa para todos…
(Saem todos, menos Violeta)

Cena V
Violeta e Príncipe Reginaldo
(No jardim do palácio Violeta está sozinha, passeia, colhe flores. Canta)
Meu pai diz que sou a flor
mais bela do seu jardim,
e que me tem muito amor
— e eu digo sempre que sim.
Meu pai diz que a minha pele
é mais clara que o marfim,
que o meu sorriso é de mel
— e eu digo sempre que sim.
Meu pai diz que dos meus dedos
nasce o cheiro do jasmim,
que é por mim que o sol vem cedo
— e eu digo sempre que sim.
Mas se um dia, de repente,
se turvar seu coração?
Se tudo ficar diferente
e eu tiver que dizer não?

PRÍNCIPE REGINALDO (chama, baixinho): Violeta! Violeta!

VIOLETA (olhando em volta): Quem me chama?
PRÍNCIPE REGINALDO: Sou eu, Violeta, estou aqui mesmo!…
VIOLETA: Que voz é esta que parece ir direitinha ao meu coração?
PRÍNCIPE REGINALDO (aparecendo): Aqui me tendes, senhora! Reginaldo, para vos servir!
VIOLETA (rindo): Que susto vós me pregastes! Isso não é bonito, Príncipe Reginaldo!
PRÍNCIPE REGINALDO: O que é que não é bonito?
VIOLETA: Andar pelos jardins a uma hora destas, a assustar uma pobre donzela indefesa…
PRÍNCIPE REGINALDO (rindo): Que a pobre donzela indefesa me desculpe, mas o que aqui me traz é urgente: sabeis se vosso pai já terá finalmente consentido no nosso casamento?
VIOLETA: Ora… Meu pai julga que eu ainda sou a menina pequena que ele um dia embalou no berço… Neste momento pensa apenas no casamento de minhas irmãs, e nem sequer se lembra que vós estais há tanto tempo à espera de uma palavra sua.
Tenho muito amor a meu pai, Príncipe Reginaldo, e não quero causar-lhe desgosto algum. Só por isso não insisti hoje com ele para que, ao menos, vos recebesse. Sinto que alguma coisa o perturba neste momento. Por isso não quero perturbá-lo ainda mais.
Teremos de ter paciência, e de esperar mais uns dias.
PRÍNCIPE REGINALDO: Seria capaz de esperar por vós a vida inteira, se necessário fosse!
VIOLETA (sorrindo): A vida inteira é muito tempo, Príncipe Reginaldo! Que graça tinha casar velha, cheia de rugas, desdentada…
PRÍNCIPE REGINALDO (interrompendo-a): Nunca sereis velha, Princesa Violeta! Tendes um coração de oiro, e quem tem um coração de oiro nunca envelhece, mesmo que viva até aos 100 anos.
VIOLETA (rindo): Pode ser… Mas não gostava muito de me casar aos 100 anos!
PRÍNCIPE REGINALDO: Às vezes tenho medo que o vosso pai pense que não sou digno de receber o seu tesouro mais valioso. Que ele não ache o meu palácio suficientemente majestoso para se tornar na vossa morada; que ele pense que o meu reino não tem riqueza que baste ao vosso olhar… (Suspira) Vossas irmãs sei eu que não morrem de amores por mim…
VIOLETA: Não faleis de minhas irmãs, que o meu coração não me diz nada de bom…
PRÍNCIPE REGINALDO: Como? Será verdade, Princesa Violeta, que acreditais em presságios e agoiros?

VIOLETA (séria): Não foi presságio nem agoiro. Foi um sonho. Um sonho que tive esta noite.
PRÍNCIPE REGINALDO: É a mesma coisa. Só uma criança acredita em sonhos.
VIOLETA (sorrindo): Então tem o meu pai razão… Se calhar não passo mesmo de uma criança…
PRÍNCIPE REGINALDO: Mas dizei que estranho sonho foi esse que tanto vos perturbou?
VIOLETA: Fareis troça…
PRÍNCIPE REGINALDO: Prometo que não.
VIOLETA: Não sei bem explicar, era tudo muito confuso, havia muito barulho…
PRÍNCIPE REGINALDO: Natural… São os preparativos da festa… Até eu os consigo ouvir daqui…
VIOLETA: Eu não disse que iríeis zombar de mim?
PRÍNCIPE REGINALDO: Desculpai, senhora, juro que não torno! Mas a vossa presença junto de mim faz-me tão feliz, que tenho grande dificuldade em acreditar em sonhos de desgraça.
VIOLETA: Era um barulho de armas, de espadas contra espadas, de gritos, e a voz do meu pai chamando por nós, e Hortênsia e Amarílis riam, riam muito alto, e os risos delas confundiam-se com os gritos de meu pai e com o barulho das lanças e das espadas…
PRÍNCIPE REGINALDO: E vós? Que fazíeis vós no meio de tudo?
VIOLETA: Isso era ainda o mais estranho… Eu estendia a mão a meu pai e ele não me via. Parecia que subitamente tinha ficado cego, que todas as maldições do mundo tinham caído sobre os seus ombros. Eu chamava-o e ele não me ouvia, era como se eu não existisse, e eu via-o caminhar à toa, mesmo à beira de um precipício, e estendia-lhe a minha mão, bastava ele segurar-se à minha mão para nada lhe acontecer, mas ele nem
a minha mão via, e por fim acabou por desaparecer…. (Pausa) Acordei a gritar, encharcada em suor. Minha ama quis chamar o físico da corte mas eu não deixei. Ia rir-se de mim, pela certa… Como vós…
PRÍNCIPE REGINALDO: Não me rio. Prometi, está prometido! Mas não vamos levar a sério esses sonhos…
VIOLETA: São presságio de desgraça!
PRÍNCIPE REGINALDO: São apenas a consequência de alguma história que vossa ama vos contou…
VIOLETA: Ao tempo que a minha ama não me conta histórias!
PRÍNCIPE REGINALDO: Seja o que for, não vamos deixar que um sonho sem importância venha perturbar estes momentos em que estamos juntos!
VIOLETA: Claro, tendes razão, como eu sou tonta!

(Abraçam-se)
PRÍNCIPE REGINALDO: Vamos então esperar que vosso pai fique de melhor disposição, e depois voltaremos a falar com ele sobre o nosso casamento.
VIOLETA: Deixemos passar os festejos do casamento de minhas irmãs.
PRÍNCIPE REGINALDO: De acordo. Quando tudo estiver mais calmo, ele entenderá melhor as minhas palavras.

CENA VI
Criados e Criados
(Preparativos para a festa, os criados passam com grandes travessas, cestos, barris, etc.
… Cantam)
CRIADA A: Bebam desta aguardente de medronho!
CRIADA B: Sintam como são doces os meus sonhos!
CRIADA C: Provem peito de rola e de perdiz!
CRIADA D: Olhem a transparência deste anis!
CORO DOS CRIADOS:
Perus e galinhas,
coelhos, faisões,
trutas e sardinhas,
avalis, leitões,
bifes de vitela,
filhos, aletria,
arroz com canela,
chá, café, sangria,
pêras, framboesas,
laranjas, limões,
maçãs camoesas,
morangos, melões
CORO DAS CRIADAS:
Lavamos,

secamos,

varremos o chão,
subimos,
descemos,
moemos o grão,
assamos,
fritamos,
cozemos o pão,
sujamos,
limpamos,
tratamos do cão,
choramos,
gritamos,
cortamos a mão,
suamos,
sonhamos,
pedimos perdão
vivemos,
morremos, por meio tostão

CRIADOS e CRIADAS em coro:
suamos,
sonhamos,
pedimos perdão,
vivemos,
morremos
por meio tostão
(Saem)
Cena VII
Reginaldo, Felizardo e Simplício
(Os Príncipes Felizardo e Simplício entram de braço dado. Atrás deles vem o Príncipe Reginaldo)
PRÍNCIPE FELIZARDO: A minha Amarílis vai ser a rainha mais rica destes reinos vizinhos, olá se vai! Posso não parecer, mas aqui onde me vedes, não sou propriamente um pelintra, ah! ah! ah! A minha fortuna é calculada em… (Pensa, pensa) … ora deixa cá ver Felizardo, deixa cá ver… (Desiste) A minha memória está fraca, deve ter sido da viagem… Com licença… (Mete a mão ao bolso e tira um longo rolo de papel que lê)… Ora
bem, então lá vai: «256 bois, 256 vacas…» lá no meu reino cada boi tem sempre a sua vaca, que é para não haver problemas… (Volta à leitura) «… 8965 galinhas poedeiras…» e se elas põem ovos, caramba!… (Volta à leitura) «… 672 cavalos, mais 8967 bestas de carga». Para além disso as minhas terras dão, por ano, «1345 alqueires de trigo, outros tantos de cevada, e mais 4876 alqueires de aveia…» (Pára, satisfeito)… É obra, ha?…
(Virando-se para Simplício) E tu? Que tens para oferecer à tua Hortênsia?
PRÍNCIPE SIMPLÍCIO: Tiraste-me as palavras da boca!
PRÍNCIPE REGINALDO: Grandes riquezas tendes para oferecer a vossas noivas, estou certo disso, mas não falastes na maior de todas, e dessa sou eu o mais rico de todos!
PRÍNCIPE FELIZARDO: Quem sois vós, e como aparecestes assim de repente?
PRÍNCIPE REGINALDO: Sou Reginaldo, pretendente à mão da Princesa Violeta.
PRÍNCIPE FELIZARDO: Violeta? Aquela lingrinhas?
PRÍNCIPE SIMPLÍCIO: Tiraste-me as palavras da boca!
PRÍNCIPE REGINALDO: De muitas riquezas ouvi falar, senhores, mas nenhum de vós falou em amor!
PRÍNCIPE FELIZARDO: Amor? Mas o que é que tem o amor a ver com isto?
PRÍNCIPE REGINALDO: Um casamento só se faz quando há amor, muito amor!
PRÍNCIPE FELIZARDO: Um casamento só se faz quando há (tirando o rolo do bolso) «256 bois, 256 vacas…»
PRÍNCIPE REGINALDO (interrompendo): Já sei, já sei, ouvi há pouco a lengalenga toda. Pois sabei: a minha Violeta terá o meu coração inteiro, e isso é riqueza bem maior do que os vossos bens todos juntos!

PRÍNCIPE FELIZARDO: Maior do que… (Volta a tirar o rolo) «… 256 bois, 256 vacas, 8000…»
PRÍNCIPE REGINALDO (interrompendo): Muito maior!
PRÍNCIPE FELIZARDO: E o que é que a gente faz com um coração?
PRÍNCIPE SIMPLÍCIO: Tiraste-me as palavras da boca!
PRÍNCIPE REGINALDO: Com um coração trazemos as pessoas que amamos para dentro de nós próprios, e é através dos seus olhos que vemos o mundo, e é através dos seus ouvidos que ouvimos o cantar das aves e das ondas do mar, e é através das suas mãos que sentimos a suavidade do linho ou da areia das praias…
PRÍNCIPE FELIZARDO: Ui, isso deve fazer cá uma impressão danada…
PRÍNCIPE SIMPLÍCIO: Tiraste-me as palavras da boca!
PRÍNCIPE FELIZARDO: Ah, mas ainda não ouvistes tudo! Por cada filho que a minha Amarílis me der, ofereço-lhe, ora deixa cá ver, Felizardo… (Tira o rolo de papel da algibeira)… vinte lingotes de ouro maciço! É obra, ha?
PRÍNCIPE REGINALDO: Pois a minha amada Violeta receberá, por cada filho que me der, ainda mais amor, e toda a minha gratidão.
PRÍNCIPE FELIZARDO: Gratidão? Palavra estranha…
PRÍNCIPE SIMPLÍCIO: Tiraste-me as palavras da boca!
PRÍNCIPE REGINALDO: É palavra que deve sempre andar ligada ao amor pois, sem ele, não faz sentido nenhum. Assim me ensinaram meus pais e meus avós, e assim ensinarei aos filhos e netos que um dia tiver.
PRÍNCIPE FELIZARDO: Cá os meus pais ensinaram–me a somar dois e dois, e mais do que isso nunca precisei de saber.

Cena VIII
Os mesmos mais Hortênsia e Amarílis
HORTÊNSIA: Bonito! Nós duas à vossa espera no salão e vós aqui na conversa…
PRÍNCIPE FELIZARDO: Estávamos a tirar teimas para ver qual de vós ia ser a mais rica…
PRÍNCIPE REGINALDO: Tirai-me do grupo. A mim só me interessa saber que, a meu lado, Violeta vai ser a princesa mais amada e a mais feliz que o sol contempla.
PRÍNCIPE FELIZARDO (para Amarílis): Não ligueis ao que ele diz… Isto passa-lhe com a idade. Ou então com uma colherzita de bicarbonato de sódio…
PRÍNCIPE SIMPLÍCIO: Tiraste-me as palavras da boca!

HORTÊNSIA (para Simplício): O vosso vocabulário, meu amado noivo, é um pouco reduzido, convenhamos, mas como é farta a vossa bolsa, e largos os horizontes do vosso reino (ri), quem é que precisa de grandes discursos?
PRÍNCIPE SIMPLÍCIO: Tiraste-me as palavras da boca!

Cena IX
Os mesmos mais Violeta

VIOLETA: Nosso pai chama-nos, vinde já! (Olha para Rcginaldo) Não vos sabia em tão boa companhia…
PRÍNCIPE FELIZARDO: Pois é, encontrámo-nos todos no jardim a apanhar fresco, que está cá uma caloraça que só visto…
HORTÊNSIA (para Amarílis): O meu noivo pode ser de poucas falas, mas o teu exprime-se de maneira tão deselegante…
AMARÍLIS (sorrindo): Mas foi de uma elegância sem limites quando há pouco abriu um cofre e de lá tirou este anel e este colar de oiro maciço que me deu… Diante disto, quem é que pensa em deselegâncias de discurso? De resto, minha querida irmã, eu acho que os maridos se fizeram para terem sempre as bolsas abertas e as bocas fechadas…

HORTÊNSIA (rindo): Como diria o meu amado noivo, «tiraste-me as palavras da boca!».

Processos de formação de palavras

16 May

Processos de formação de palavras

 

A. Processos morfológicos de formação de palavras

A língua portuguesa é constituída por:

• palavras simples, que são formadas por um único radical (que pode ou não conter afixos de género, número, tempo e modo).

Ex.: criança     estudar    rico

• palavras complexas, que são formadas por derivação ou por composição. Ex.: felizmente      fotografia

1. Derivação

1.1. Por afixação

Processo de formação de palavras que consiste no acrescento de um afixo à forma de base (radical a partir do qual se formam novas palavras). As palavras podem ser derivadas por:

• prefixação (associação de um prefixo a uma forma de base) Ex.: i + legal > ilegal

• sufixação (associação de um sufixo a uma forma de base) Ex.: legal + mente > legalmente

• prefixação e sufixação (associação de um prefixo e de um sufixo a uma forma de base) Ex.:  i + legal + mente > ilegalmente

• parassíntese (associação simultânea de um prefixo e de um sufixo a uma forma de base, não podendo nenhum deles ser retirado)

Ex.:   en + surdo + ecer > ensurdecer

en + surdo    > *ensurdo

surdo + ecer >  *surdecer

1.2. Derivação não afixal

Processo de formação de palavras que consiste na criação de nomes a partir de um radical verbal.

Ex.: cortar > o corte              trocar > a troca                intrigar > a intriga

regar > a rega                       tocar > o toque                ganhar > o ganho

 

2. Composição

2.1. Composição morfológica

Processo de formação de palavras que consiste na associação de dois ou mais radicais ou de um radi­cal e de uma palavra. Esta associação é feita, quase sempre, através de uma vogal de ligação: -i- ou -o-.

Ex.: herbívoro > radical (herb) + vogal de ligação (i) + radical (voro) fisioterapia > radical (fisio) + palavra (terapia)

Nota: Nos compostos morfológicos, a flexão de género e de número recai sempre sobre o último elemento. Ex.: herbívoro > herbívora/herbívoros

luso-brasileiro > luso-brasileira/luso-brasileiros

2.2. Composição morfossintática

Processo de formação de palavras que consiste na associação de duas ou mais palavras.

Ex.: homem-aranha    trabalhador-estudante    tira-nódoas

 

 

Nota: Nos compostos morfossintáticos, a flexão de género e de número não segue sempre a mesma regra:

– há compostos em que apenas o primeiro elemento tem flexão em número e, se possível, em género;

Ex.: homem-aranha > mulher-aranha > homens-aranha > mulheres-aranha

bomba-relógio > bombas-relógio

– há compostos em que ambos os elementos têm flexão em número e, se possível, em género;

Ex.: surdo-mudo > surda-muda  > surdos-mudos > surdas-mudas saia-casaco > saias-casacos

– há compostos em que apenas o segundo elemento tem flexão em número e em que a flexão em género é feita através de um determinante artigo definido.

Ex.: (o) porta-voz > (a) porta-voz > porta-vozes

Alguns exemplos de palavras derivadas por parassíntese e de palavras compostas

 

 

PALAVRAS DERIVADAS

PALAVRAS COMPOSTAS

Parassíntese

Compostos

morfológicos

Compostos

morfossintáticos

abotoar

 

afro-luso-brasileiro abre-latas
adoçar

 

biblioteca aluno-modelo
afugentar

 

biologia apanha-bolas
afunilar

 

caligrafia apara-lápis
ajoelhar

 

cardiopatia autor-compositor
amanhecer carnívoro bomba-relógio

 

anoitecer claustrofobia café-bar

 

apadrinhar

 

cronometro

 

conta-gotas

 

apedrejar democracia

 

crocodilo-fêmea

 

apodrecer demografia

 

empresa-fantasma

 

aterrorizar

 

ferroviária

 

garrafa-termo

 

emagrecer

 

fotografia

 

governo-sombra

 

embarcar

 

geografia

 

guarda-joias

 

embelezar

 

hemograma

 

homem-aranha

 

embirrar

 

herbicida

 

homem-bomba

 

empalidecer

 

herbívoro

 

homem-rã

 

emparedar

 

homicida

 

lava-louça

 

empobrecer

 

ludoteca

 

médico-dentista

 

encarecer

 

luso-brasileiro

 

mulher-polícia

 

endoidecer

 

lusodescendente

 

notícia-bomba

 

enfraquecer morfossintático

 

peixe-espada

 

engordar

 

ortografia

 

pisa-papéis

 

enlouquecer

 

ortopedia político-fantoche

 

enriquecer

 

pesticida porta-chaves

 

ensurdecer pirotecnia

 

porta-voz

 

entristecer

 

político-cultural

 

rádio-gravador

 

envelhecer

 

psicologia

 

saia-casaco

 

esbracejar

 

radiografia

 

surdo-mudo

 

esclarecer

 

tecnocracia

 

tira-nódoas

 

esfriar termómetro trabalhador-estudante

 

espernear tragicomédia tubarão-martelo

 

 

B. Processos irregulares de formação de palavras

1. Sigla – palavra formada pelas letras iniciais de um conjunto de palavras,  pronunciadas letra a letra.

Ex.: PSP – Polícia de Segurança  Pública      BTT- Bicicleta Todo o Terreno

2. Acrónimo – palavra formada a partir da junção de uma ou mais letras iniciais ou sílabas de várias palavras e que se pronuncia como uma palavra só.

Ex.: FAOJ – Fundo de Apoio às Organizações Juvenis FENPROF – Federação Nacional de Professores

 

 

3. Empréstimo – processo que consiste na adoção de palavras de outras línguas. Ex.: croissant (palavra importada da língua francesa) skate (palavra importada da língua inglesa)

4. Truncação – processo que consiste na criação de uma nova palavra pela omissão de parte da palavra de que deriva.

Ex.: foto – fotografia

manif – manifestação

Zé – José

hiper – hipermercado

5. Onomatopeia – palavra que reproduz um determinado som (produzido por objetos, animais, fenómenos naturais…). Ex.: quá-quá (pato) • trriim (despertador) * cocorocó (galo)

6. Amálgama – processo que consiste na criação de uma palavra a partir da fusão de dois vocá­bulos.

Ex.: informática – informação + automática                 cibernauta – cibernética + astronauta

 

fonte: (Para)textos 7º ano da Porto Editora

Texto dramático – características

16 May

1. ACÇÃO (desenrolar dos acontecimentos, através do diálogo e da movimentação das personagens)
1.1 Estrutura Interna
• Exposição (apresentação das personagens e dos antecedentes da acção)
• Conflito (sucessão dos acontecimentos que constituem a acção teatral)
• Desfecho (desenlace da acção)

1.2 Estrutura Externa
• Acto (divisão maior do texto dramático, quando decorre num mesmo espaço)
• Cena (divisão do acto determinada pela entrada ou saída de personagens)

2. PERSONAGENS (agentes da acção)

2.1 Classificação quanto ao relevo/ importância
• Principal ou protagonista (desempenha um papel de maior importância)
• Secundária (desempenha papéis de menor relevo)
• Figurante (não desempenha qualquer papel específico, embora a sua existência
seja importante para a compreensão da acção)

2.2 Tipo de retrato
• Físico (aspecto exterior, fisionomia, vestuário,…)
• Psicológico (traços da personalidade, maneira de ser)

2.2 Processos de caracterização
• Directa (através de palavras da personagem acerca de si própria, de palavras de
outras personagens, de afirmações do narrador)
• Indirecta (deduções do leitor acerca da personagem, a partir de atitudes ou
comportamento da mesma)

3. ESPAÇO (local onde decorre a acção; no texto teatral, corresponde ao espaço de
representação)

4. TEMPO (o tempo da acção normalmente corresponde ao da representação)

5. MODALIDADES DO TEXTO DRAMÁTICO

5.1 Discurso Dramático (texto principal constituído pelas “falas” das personagens)
• Diálogo (conversa entre personagens; dá à acção mais vivacidade e
autenticidade)
• Monólogo (quando a personagem fala sozinha)
• Aparte (quando a personagem fala para o público, não querendo que as outras
personagens a ouçam)

5.2 Indicações Cénicas ou Didascálias (texto secundário constituído pelas informações
do autor sobre os gestos, a entoação e a movimentação das personagens, o cenário, o
guarda-roupa, a luz, o som, etc.)

6. Tipo de texto
• Comédia
• Tragédia
• Farsa
7. INTENÇÃO DO AUTOR AO CONCEBER A PEÇA (lúdica, didáctica e/ou crítica)
8. OPINIÃO DO LEITOR
Actualidade ou anacronismo do tema

pontuação – principais sinais

16 May

fonte: http://www.priberam.pt

Quanto ao ponto:

O ferro é um dos metais mais úteis. Os factos devem narrar-se na sua ordem natural. O ar das montanhas tonifica.

Como se vê, o ponto final indica o fim duma frase ou o fecho dum pensamento, com inflexão de voz que denota pausa absoluta. Emprega-se ainda nas abreviaturas:

Ex.: Sr. (por Senhor); Dr. (por Doutor); D. (por Dom ou Dona); V. Ex.ª(por Vossa Excelência); m.to (por muito).

Continuar a ler

verbo haver conjugado

16 May

fonte: http://www.priberam.pt

Conjugação do verbo: haver

Indicativo
Presente Pret. Perfeito Pret. Imperfeito Pret. Mais-Que-Perfeito Futuro
hei
hei-de
hás
hás-de

há-de
havemos
haveis
hão
hão-de
houve
houveste
houve
houvemos
houvestes
houveram
havia
havias
havia
havíamos
havíeis
haviam
houvera
houveras
houvera
houvéramos
houvéreis
houveram
haverei
haverás
haverá
haveremos
havereis
haverão
Conjuntivo Infinitivo
Presente Pret. Imperfeito Futuro Pessoal Impessoal
haja
hajas
haja
hajamos
hajais
hajam
houvesse
houvesses
houvesse
houvéssemos
houvésseis
houvessem
houver
houveres
houver
houvermos
houverdes
houverem
haver
haveres
haver
havermos
haverdes
haverem
haver
Condicional Imperativo Gerúndio Particípio Passado
Afirmativo Negativo (não, nunca)
haveria
haverias
haveria
haveríamos
haveríeis
haveriam

haja
hajamos
havei
hajam
hajas
haja
hajamos
hajais
hajam
havendo havido

 

verbo ser conjugado

16 May

 

fonte: www. priberam.pt

Conjugação do verbo: ser

Indicativo
Presente Pret. Perfeito Pret. Imperfeito Pret. Mais-Que-Perfeito Futuro
sou
és
é
somos
sois
são
fui
foste
foi
fomos
fostes
foram
era
eras
era
éramos
éreis
eram
fora
foras
fora
fôramos
fôreis
foram
serei
serás
será
seremos
sereis
serão
Conjuntivo Infinitivo
Presente Pret. Imperfeito Futuro Pessoal Impessoal
seja
sejas
seja
sejamos
sejais
sejam
fosse
fosses
fosse
fôssemos
fôsseis
fossem
for
fores
for
formos
fordes
forem
ser
seres
ser
sermos
serdes
serem
ser
Condicional Imperativo Gerúndio Particípio Passado
Afirmativo Negativo (não, nunca)
seria
serias
seria
seríamos
seríeis
seriam

seja
sejamos
sede
sejam
sejas
seja
sejamos
sejais
sejam
sendo sido

verbo ter conjugado

16 May

Conjugação do verbo: ter

Indicativo
Presente Pret. Perfeito Pret. Imperfeito Pret. Mais-Que-Perfeito Futuro
tenho
tens
tem
temos
tendes
têm
tive
tiveste
teve
tivemos
tivestes
tiveram
tinha
tinhas
tinha
tínhamos
tínheis
tinham
tivera
tiveras
tivera
tivéramos
tivéreis
tiveram
terei
terás
terá
teremos
tereis
terão
Conjuntivo Infinitivo
Presente Pret. Imperfeito Futuro Pessoal Impessoal
tenha
tenhas
tenha
tenhamos
tenhais
tenham
tivesse
tivesses
tivesse
tivéssemos
tivésseis
tivessem
tiver
tiveres
tiver
tivermos
tiverdes
tiverem
ter
teres
ter
termos
terdes
terem
ter
Condicional Imperativo Gerúndio Particípio Passado
Afirmativo Negativo (não, nunca)
teria
terias
teria
teríamos
teríeis
teriam
tem
tenha
tenhamos
tende
tenham
tenhas
tenha
tenhamos
tenhais
tenham
tendo tido

fonte: http://www.priberam.pt

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